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20 anos da reunificação alemã: o que foi a RDA?

Por Peter Schwarz
12 de outubro de 2010

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O vigésimo aniversário da reunificação da Alemanha não é apenas um marco histórico, mas também se faz importante em função de outro aspecto. As duas décadas que se passaram desde 1990 representaram metade da vida da República Democrática Alemã (Alemanha Oriental). A RDA foi fundada em 7 de outubro, 1949. Um mês antes da queda do Muro de Berlim (em 9 de novembro de 1989), a RDA celebrou seu aniversário de 40 anos. Um ano depois, havia desaparecido do mapa político. O Muro de Berlim, erguido em agosto de 1961, durou apenas oito anos a mais do que o período que se passou desde seu colapso.

Em vista do período de tempo considerável passado desde o fim da RDA, poderia se esperar que o aniversário da reunificação alemã oferecesse a chance de uma avaliação sóbria e objetiva do que a RDA de fato era. Porém, nenhuma avaliação desse tipo surgiu. Os numerosos discursos de aniversário foram caracterizados pelo mesmo fervor ideológico que predominou no período da Guerra Fria. Em vez de receber uma resposta à pergunta "o que era a RDA?", o público foi alimentado com slogans e xingamentos.

A União Democrata Cristã (CDU) requisitou os serviços de Helmut Kohl, preso a uma cadeira de rodas e quase incapaz de falar, para lembrar um público de funcionários do partido de que a RDA foi caracterizada pelo "poder da injustiça". Qualquer um que afirmasse algo diferente não havia aprendido "nada, absolutamente nada". Ironicamente, o ex-chanceler falou em um encontro de celebração do vigésimo aniversário da junção da CDU com sua contraparte na Alemanha Oriental, que, enquanto um, assim chamado, bloco partidário, foi um componente integral do regime stalinista.

O presidente alemão Christian Wulff, falando na celebração oficial em Bremen, elogiou a cruzada por liberdade feita pelo povo "que se libertou da ditadura sem derramar sangue". A chanceler Angela Merkel, numa contribuição à Bild am Sonntag, expressou sua apreciação das "conquistas vitalícias dos antigos cidadãos da RDA" e ao mesmo tempo insistiu que isso era algo completamente diferente da "estrutura estatal da RDA". O presidente dos EUA Barack Obama, em uma mensagem de congratulações descreveu a "coragem e convicções dos alemães que trouxeram o colapso do Muro de Berlim" enquanto uma contribuição a "uma visão conjunta de uma Europa livre e unida".

Se os estamentos políticos tanto na Alemanha quanto nos EUA relutam em tratar seriamente da questão da natureza da RDA, é porque esse Estado deve suas origens em grandes crimes históricos - a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto.

A responsabilidade por esses crimes não é somente de Hitler e seus comparsas, mas de uma ampla camada da elite econômica e política na Alemanha: magnatas industriais como Thyssen, Krupp e Quandt, que financiaram Hitler e aumentaram suas próprias fortunas através do trabalho forçado; generais e oficiais que organizaram a guerra de destruição no lado Oriental; acadêmicos e juristas que desenvolveram e implementaram as leis raciais; e muitos outros.

O papel da elite capitalista em iniciar a guerra e o genocídio era tão evidente ao final da guerra que os sentimentos anti-capitalistas até encontraram reflexo no programa de pós-guerra Ahlen da CDU. Essa situação não era somente uma fonte de preocupação para os governos de Washington e Londres, mas também para os governantes stalinistas em Moscou. Stalin, cujo poder se apoiava na casta burocrática privilegiada e que havia perseguido e assassinado os líderes da Revolução de Outubro, temia que um movimento socialista de massas na Europa comprometesse o seu próprio poder.

Consequentemente, os EUA, a União Soviética e a Grã-Bretanha chegaram a um acordo nas conferências realizadas em Teerã, Yalta e Postdam para dividir a Alemanha e a Europa em diferentes esferas de influência. Stalin recebeu uma zona intermediária na Europa Oriental e em troca ele prometeu ajudar na supressão de qualquer movimento anti-capitalista na Europa Oriental. Esse se provaria um fator de significação decisiva em países como França e Itália, onde os Partidos Comunistas dirigidos por Moscou estavam na liderança de movimentos de resistência armada.

O destino da Alemanha - dividida em quatro zonas de ocupação diferentes - foi finalmente decidido quatro anos após o fim da guerra. Em maio de 1949, a República Federal (Alemanha Ocidental) foi fundada dentro das três zonas controladas pelas potências ocidentais. Em resposta, a RDA foi fundada cinco meses depois. Embora a CDU, na época liderada por Konrad Adenauer, tenha usado a divisão da Alemanha para favorecer seus próprios interesses propagandísticos, o partido havia deliberadamente decidido em favor da divisão de modo a se alinhar econômica e militarmente com as potências ocidentais.

Enquanto a Guerra Fria se intensificava, o encarceramento de criminosos nazistas na República Federal chegou a uma interrupção abrupta. Magnatas industriais que haviam sido condenados foram soltos, oficiais do serviço secreto nazista e do exército foram reempregados, e ex-membros do Partido Nazista de Hitler foram elevados aos mais altos postos políticos. Nem um único jurista nazista foi responsabilizado por seus crimes. Isso fez da RDA, que era mais consistente em processar os criminosos de guerra nazistas, atraente para muitos trabalhadores, artistas e intelectuais.

Sob a crescente pressão da Guerra Fria, o regime da RDA também fez incursões importantes para dentro das relações de propriedade capitalistas. Em 1945, as autoridades de ocupação Soviéticas já haviam confiscado sem indenização todas as propriedades fundiárias com mais de 100 hectares, entregando a terra para meio milhão de trabalhadores agrícolas e pequenos agricultores. Isso removeu a base material dos Junkers, que haviam formado as fundações da reação política e militar no Império Wilhelmiano e na República de Weimar. Após a fundação da RDA, as empresas capitalistas também foram nacionalizadas.

Embora o regime stalinista da RDA funcionasse como um braço da burocracia do Kremlin e suprimisse a classe trabalhadora, ele era compelido a implementar um número considerável de concessões sociais. A propriedade estatal se tornou a base para um sistema educacional, hospitalar e social abrangente, que garantia aos trabalhadores um alto grau de segurança social.

Resumindo, a RDA tinha um caráter contraditório, que não pode ser concebido por meio de slogans simplistas como "poder da injustiça" ou "ditadura". Não era um Estado socialista, mas também não era um Estado capitalista. A propriedade social representava um avanço, mas seu potencial só poderia ter sido realizado sobre a base da democracia operária e do espalhamento de tais relações sociais para outros países. Como Trotsky e a Quarta Internacional haviam insistido, isso tornava necessária uma revolução política através da qual a classe trabalhadora derrubasse o regime stalinista e instituísse a democracia operária. Em última análise, o caráter contraditório da RDA era parte das contradições do capitalismo mundial, que não haviam sido resolvidas, mas meramente encobertas pelo boom econômico do pós-guerra.

Desde a reunificação da Alemanha e da dissolução da União Soviética, essas contradições vieram à superfície de modo cada vez mais aberto. Vinte anos após a unificação, a República Federal cada vez mais se parece com a Alemanha das décadas de 1920 e 1930, enquanto o capitalismo, em todo o mundo, passa por uma crise profunda.

Em vez das "paisagens repletas" prometidas pelo chanceler Helmut Kohl em 1990, a pobreza e o desemprego estão se espalhando tanto na parte oriental da Alemanha quanto na ocidental. Cerca de 6,7 milhões de alemães dependem de pagamentos de seguridade social Hartz-IV, enquanto outros 5 milhões estão empregados em formas de trabalho precárias e de baixo salário. Os sistemas de pensão e de saúde do país estão sendo desmontados peça por peça.

O nacionalismo e o racismo estão novamente encontrando apoio nos círculos dominantes. Em seu discurso de aniversário, o presidente Wulff se declarou favorável a um "patriotismo relaxado" e avisou aos imigrantes que se recusam a aceitar "nosso modo de vida" que eles precisam "enfrentar uma resistência decisiva". Ele também defendeu o profundo abismo social que se abriu durante os últimos 20 anos, declarando, "igualdade demais sufoca a iniciativa individual e somente pode ser conseguida ao custo da perda da liberdade".

No palco mundial, o imperialismo alemão está retornando à sua antiga arrogância. Tropas alemãs, mais uma vez, estão lutando e matando no Afeganistão e outras partes do mundo. O ministério de finanças alemão está ditando termos por toda a Europa para drásticas medidas de austeridade e ataques sobre a classe trabalhadora.

Se há uma lição fundamental a ser retirada dos 20 anos desde a reunificação da Alemanha, deve ser que nenhum dos problemas que tornaram o século XX o mais violento da história humana foram resolvidos. Os trabalhadores devem se preparar para confrontos de classe. Precisam aprender a distinguir entre o stalinismo e o socialismo e compreender a real natureza da GDR.

(traduzido por movimentonn.org)

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