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Grécia: cercado de protestos, Papandreou garante que implementará programa de austeridade

Por Ulrich Rippert
11 de março de 2010

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Publicado originalmente em inglês no dia 6 de março de 2010

Depois de se reunir de manhã com Jean-Claude Juncker, chefe do Eurogroup, o primeiro-ministro grego George Papandreou se encontrou com a chanceler alemã Angela Merkel em Berlim na noite de sexta-feira, assegurando que empurraria as medidas draconianas de austeridade exigidas pelos bancos europeus e pela União Européia.

Enquanto o primeiro-ministro do social-democrata PASOK estava pedindo o apoio político da Alemanha para seu governo à medida que ataca os padrões de vida da classe trabalhadora grega, dezenas de milhares de trabalhadores e jovens saíam às ruas em Atenas e Thessaloniki, carregando faixas que exigiam "guerra contra a guerra dos capitalistas."

Manifestações espontâneas irromperam nas proximidades de prédios públicos e do parlamento enquanto os deputados votavam numa sessão especial referente ao último pacote de medidas de austeridade, anunciado na quarta-feira por Papandreou.

Várias centenas de manifestantes cercaram o Ministério das Finanças em Atenas e impediram que integrantes da pasta entrassem no prédio. Eles ocuparam temporariamente vários dos escritórios e tomaram a entrada, segurando uma faixa em que se lia "Levantem-se para impedir a imposição das medidas"

Com Papandreou ainda em Berlim, uma nova greve dos controladores de tráfego aéreo fechou todos os aeroportos da Grécia. Em Atenas, nenhum ônibus ou trem circulou na sexta-feira. Professores das escolas primárias e até mesmo policiais - categorias afetadas pelos cortes - convocaram passeatas. Mais um dia de greve nacional foi anunciado para 16 de março.

Nas suas conversas em Berlim, Papandreou garantiu a Merkel e Juncker que estava pronto para empurrar os "dolorosos cortes." Ele declarou que não estava em Berlim para pedir dinheiro ao governo alemão. Ele não estava pedindo que "os contribuintes alemães paguem por nossas pensões e férias," disse Papandreou numa entrevista com o Frankfurter Allgemeine Zeitung. Em vez disso, ele estava procurando apoio político para as medidas de austeridade que seu governo pretende implementar.

Na quarta-feira, o governo grego concordou com um segundo, mais drástico, pacote de austeridade, que inclui aumentos nos impostos e cortes orçamentários no total de 4,8 bilhões de euros. As medidas incluem aumento do imposto sobre bens e serviços (VAT) da taxa atual de 19% para 21%; uma redução de 10% nos salários do funcionalismo público; aumentos de impostos sobre o petróleo, tabaco e álcool; congelamento das pensões, e redução das mesadas dos funcionários governamentais.

Anunciando as novas medidas, Papandreou falou sobre a Grécia estar em uma "situação de guerra." A população precisava estar preparada para sacrifícios, declarou, em nome da "sobrevivência de nosso país."

Merkel e Juncker deram boas vindas às novas medidas como um passo importante, mas avisaram a Papandreou que ele não podia relaxar e precisava preparar mais medidas de austeridade para tranqüilizar os mercados financeiros internacionais e melhorar a confiabilidade do país.

Merkel se afastou marcadamente de qualquer apelo de apoio financeiro ao governo grego. Em vez disso, ela elogiou a disposição de Papandreou em trabalhar com a União Européia e prometeu apoio político durante a imposição das medidas de austeridade.

Merkel não definiu o conteúdo desse apoio político, mas ficou claro que ele depende de que o regime do PASOK desafie a oposição popular das massas aos cortes. Isso só pode significar o apoio a quaisquer medidas repressivas que Papandreou venha a tomar para suprimir as greves e manifestações contra o programa de austeridade.

Desde a introdução do Acordo de Schengen, ratificado uma década atrás pelo parlamento grego, e da conseqüente eliminação do controle fronteiriço, a cooperação entre as agências de segurança da Grécia e Alemanha tem se intensificado. Essa cooperação será ainda mais fortalecida para lidar com as próximas greves e grandes atos.

Ao mesmo tempo, o governo Merkel está usando suas relações com os sindicatos para manter as greves e protestos na Grécia sob controle e evitar que elas se espalhem. Os sindicatos alemães têm um papel chave dentro das organizações trabalhistas européias e internacionais, e trabalharam incansavelmente para evitar o surgimento de lutas inter-européias contra as demissões e ataques aos padrões de vida da classe trabalhadora.

Esses sindicatos combinam a convocação de greves e protestos ocasionais para conter a raiva e a militância política da população com a mais estreita colaboração com as corporações e governos da Europa. John Monks, o secretário geral da Confederação Sindical Européia (ETUC), fez uma intervenção em Atenas durante a marcha da greve geral do dia 24 de fevereiro. Enquanto ele lançava uma tirada verbal contra as medidas de austeridade da União Européia, o IG Metall, maior sindicato da Alemanha, estava assinando um congelamento salarial de dois anos, uma ação na retaguarda para favorecer o governo Merkel e os bancos alemães.

Em sua visita a Berlim, Papandreou se comportou como um típico social-democrata. Em face da crescente raiva popular em seu país, ele procurou o apoio da mais forte potência imperialista no continente. Sabendo que os bancos alemães são a principal força por trás dos ditames financeiros de Bruxelas, ele repetidamente afirmou sua vontade de cooperar da maneira mais estreita possível. Sua docilidade servil diante de Merkel foi aberta e descarada.

Mas isso não satisfez grande parte do establishment midiático e político alemães. O Die Welt havia anteriormente informado que o governo alemão queria ver um "representante especial europeu" apontado para cuidar do assunto grego. Seu papel seria monitorar de perto a implementação do programa de austeridade. Ele ou ela poderia servir ainda como um "pára-raio para os protestos da população grega," escreveu o jornal.

Papandreou não emitiu uma palavra de indignação contra tais ameaças à soberania de seu país, que equivalem a colocar a Grécia sob custódia.

Essa atitude servil do primeiro ministro grego parece apenas ter catalisado a arrogância de certos políticos alemães e setores da mídia. Numa entrevista com o Bild, Josef Schlarmann, presidente da Associação Democrática Cristã de Pequenos Negócios, disse: "Alguém que está falido precisa usar de todos os seus recursos para ganhar dinheiro — a fim de pagar seus credores." A Grécia, ele observou, possui construções, companhias e ilhas inabitadas "que podem ser usadas para pagar a dívida."

Floyd Landis, um proeminente Democrata Cristão, exigiu que a Grécia ofereça "garantias... por exemplo, algumas ilhas gregas."

Numa provocação deliberada, o Bild publicou uma carta a Papandreou na edição de sexta-feira declarando, "se você leu isto, saiba que está num país muito diferente do seu, está na Alemanha."

A carta prosseguia dizendo que, diferente da Grécia, as pessoas na Alemanha não são preguiçosas, mas trabalham até os "67 anos de idade." A Alemanha, a carta prosseguia, é um país onde os trabalhadores, mesmo funcionários do governo, há tempos não recebem um aumento salarial generoso.

"Ninguém precisa pagar milhares de euros em subornos" para ser tratado em um hospital na Alemanha, falava a provocação do jornal. Embora a Alemanha tenha grandes dívidas, ela pode pagá-las, "Por que nós levantamos bem cedo e trabalhamos o dia inteiro."

Seria preciso voltar à época dos nazistas para encontrar tal nível de arrogância editorial dirigida contra povos "inferiores".

[traduzido por movimentonn.org]

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