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Metalúrgicos ocupam fábrica fechada em Windsor, Canadá

Sindicato CAW luta para bloquear a grande luta contra as demissões

Por Jerry White
24 de março de 2009

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Centenas de trabalhadores se reuniram ontem em frente a fábrica de peças para automóveis Aradco em Windsor, Ontario, ocupada pelos trabalhadores desde a noite de terça-feira. Os trabalhadores assumiram seu controle uma semana após a seu fechamento ser declarado, mandando 90 trabalhadores para rua sem compensação, remuneração de férias e outros benefícios.

A ação continuou por vários dias, com piquetes massivos dos trabalhadores para impedir que a Chrysler - que representa 99% dos negócios da emprsa - remova auto-peças e ferramentas desta fábrica e de uma planta irmã chamada Aramco. A montadora localizada em Detroit cancelou seus contratos depois de uma disputa sobre os pagamentos e, imediatamente, obteve uma ordem judicial para obter as peças e os equipamentos das pequenas fábricas.

Na terça-feira, mais de 100 trabalhadores das duas fábricas automotivas e de outras ao redor desafiaram o mandado judicial do tribunal e continuaram o bloqueio da fábrica, parando um caminhão e os veículos de segurança da Chrysler e os impedindo de entrar. Pocuo depois, antes das 18h da terça-feira, um pequeno grupo de trabalhadores conseguiram ocupar a fábrica - que estampa metal para lataria e chassis de veículos Chrysler - e em seuida apareceram em seu telhado. Eles fecharam as portas com solda e disseram que não iriam sair até que recebessem US $ 1,7 milhões em indenização demissional, que a fábrica lehs deve de acordo com as leis de Ontário.

Uma dúzia de policiais, trazidos à cena pelo sistema de alarme da fábrica, foram impedidos de entrar pelo grande número de trabalhadores que se reuniu do lado de fora para defender a ocupação.

A Chrysler tentou pôr fim ao bloqueio na segunda-feira, oferecendo aos trabalhadores US$ 205.000 pelas verbas que a Aradco deve a eles. No entanto, os trabalhadores rejeitaram a oferta com uma margem de 64%, apesar de seu sindicato, o Canadian Auto Workers, CAW, dizer que era o melhor acordo que poderiam oferecer. Trabalhadores que ocuparam a fábrica disseram que não tiveram outra opção senão a de tomar a empresa, pois caso contrário poderiam ser enganados a respeito dos benefícios a que tinham direito legal. Se a empresa declarou falência, os bancos e outros credores teriam a garantia sobre os ativos a propriedade.

A luta provocou um amplo apoio entre os trabalhadores por toda Windsor, um duro golpe da cidade industrial de 220.000 pessoas, separada de Detroit apenas por um rio. A reunião da quarta-feira aproximou cerca de 500 trabalhadores, incluindo os trabalhadores da planta de mini-van da Chrysler , que está ameaçada de fechar.

Na semana passada, o presidente da Chrysler, Tom LaSorda ameaçou fechar todas as fábricas da empresa no Canadá a menos que os trabalhadores aceitem uma redução de 25% dos salários e dos benefícios e o governo do Canadá e Ontário forneçam à empresa um empréstimo de US$ 2 ou 3 bilhões. A Chrysler emprega 9.400 pessoas em sua linha de montagem em Windsor e Brampton, em Ontário. Dezenas de milhares de trabalhadores enfrentam uma possível perda em seus empregos se a empresa mantém a ameaça de acabar com as operações no Canadá.

Diante dessas ameaças o CAW se revelou completamente impotente. Se opondo a qualquer luta unificada entre trabalhadores americanos e canadenses e contra a destruição de postos de trabalho em ambos os lados da fronteira, o CAW se comprometeu a igualar ou superar quaisquer concessões do United Auto Workers nos EUA, afim de manter a "vantagem competitiva" para as montadoras fazerem negócios no Canadá. O UAW já permitiu uma redução dos salários e benefícios para o nível dos trabalhadores não sindicalizados nas plantas da Toyota e outras empresas internacionais.

A ocupação pelos trabalhadores em Windsor tem claramente abalado tanto a Chrysler quanto a burocracia do CAW, que temem que o exemplo possa inspirar trabalhadores do setor automotivo por todo Canadá para fazerem o mesmo. Os executivos da Chrysler rapidamente denunciaram a ocupação, se expressando hipocritamente em nome dos milhares de trabalhadores que, afirmando que poderiam ser demitidos devido a uma escassez de peças. "Com certeza, fecharão as plantas da Chrysler em toda a América do Norte, pondo os seus irmãos e irmãs na rua e acabando com outros fornecedores", disse o porta-voz da empresa, Dave Elshoff.

Vários oportunistas, incluindo Ken Lewenza, presidente do CAW, lutaram para promover a ilusão de que a legislação de Ontário poderia ser pressionada a ficar do lado dos trabalhadores.

Enquanto Lewenza fazia simulava um militantismo e uma combatividade na frente da multidão - dizendo que os trabalhadores não eram responsáveis pela crise econômica global e não deveriam pagar por ela - na frente dos repórteres da mídia o presidente do sindicato deixou claro que estava interessado em acabar com a luta o mais rápido possível.

"Nós odiamos fazer isso. Parece que é ilegal ou é ilegal sob o mandado judicial", disse ele aos jornalistas. "A última coisa que queremos fazer é fechar a Chrysler e fazer a empresa perder rendimentos. É um mau momento, principalmente quando a sobrevivência da Chrysler, GM e Ford estão em jogo."

Quando este repórter perguntou a Lewenza a razão pela qual o sindicato foi orientado a não lutar para acabar com as demissões em massa que afetam os trabalhadores em toda a indústria automotiva, o presidente do sindicato expressou sua fraqueza diante do capital, dizendo: "Nosso sindicato não pode controlar a economia do mercado. É aí onde você precisa de um governo para caminhar."

Se a empresa e a Chrysler foram obrigadas a recuar, foi devido à luta determinada dos próprios trabalhadores, e não ao CAW, que, apesar de sua grande adesão e enormes recursos financeiros, não fez nada além de tentar abafar a luta.

Em contradição com os funcionários do CAW, trabalhadores manifestaram a sua determinação em resistir e defender os seus empregos. Um dos trabalhadores envolvidos na ocupação, Frank Kelly, disse a nossos repórteres: "Eu deixei a fábrica, mas eu queria me levantar junto com os meus irmãos, senão eles receberão o mesmo pacote de desligamento que eu recebi em julho.

"Ocupamos ao final da noite passada (terça-feira). Foi uma ocupação feita independentemente do sindicato. Nós não fizemos isto apenas por nós mesmos. Fizemos para aqueles que estão desempregados, para toda a gente que está se ferrando por causa das grandes empresas em todas as cidades, em todo o Canadá e em todos os lugares".

Louis, um trabalhador com 16 anos de fábrica, disse: "Nós fomos surpreendidos na segunda-feira passada quando fomos chamados depois do jantar e nos falaram para não virmos no dia seguinte. Nós perguntamos quantos estavam sendo demitidos e nos disseram que era a empresa toda.

"No dia seguinte, nós viemos para a unidade e não havia ninguém da empresa. Ouvimos que a Chrysler estava chegando para pegar as suas ferramentas. Dissemos que era inacreditável que eles iriam entrar e tirar o equipamento, a fim de enviá-lo para outra unidade. Nós decidimos parar os caminhões. Alguns caras aqui têm 28 anos de fábrica e eles nos trataram como se nós não tivéssemos nenhum direito. Fomos demitidos sem indenização ou férias remuneradas. Nós nem sequer recebemos o nosso último salário. Eles não nos deram nossos papéis de desligamento da empresa, o que precisamos para obter benefícios de desemprego.

"O que está acontecendo aqui é o que se passa em todos lugares. Estamos ligados e somos parte da mesma crise. Esta é uma mensagem dos trabalhadores e esse tipo de coisa vai acontecer mais e mais. Temos de lutar para impedi-los de tomarem os nossos empregos e agredirem nossas famílias. "

Outro trabalhador envolvido na luta, Jagdish, referiu-se à ocupação da fábrica Republic Windows and doors em Chicago no último mês de dezembro. "Aqueles trabalhadores estavam lutando pela mesma coisa. Duzentas pessoas se ergueram e ganharam indenização demissional".

Um trabalhador com 32 anos em uma planta da área em Windsor disse: "As empresas só querem sair. Eles não se importam com os trabalhadores. Acabaram de ter seu dinheiro e colocá-lo em bancos. Não é justo para os trabalhadores, no Canadá, nos EUA ou em qualquer outro lugar. Eles não têm nenhum respeito com a classe trabalhadora, que tem famílias e que trabalham duro para seguir em frente. Damos a eles concessões e eles só pedem mais. "

O WSWS também falou com dois trabalhadores da Chrysler, Tim Fuerth Ken MacDonald. Tim disse: "É uma luta comum para os trabalhadores dos EUA e do Canadá. Windsor é a próxima montadora a fechar. Estou serei um dos 1200 que vão para rua em 24 de junho. Acho que eles vão para uma guerra comercial e que não vai ajudar qualquer um de nós. "

Ken acrescentou: "O sindicato automotivo nunca deveria ter se dividido entre o UAW e CAW. Estamos competindo uns contra os outros, lutando por empregos em uma corrida, enquanto as corporações riem e vão aos bancos.

"Eles estão ameaçando a tomar nossos empregos e mudar pra St. Louis, onde fecharam a planta. Se eles fecharem a montadora não haverá mais nada em Windsor. Estes trabalhadores que estão opcupados resistem. Talvez seja a hora de alguma agitação civil, mesmo que isso signifique ir para a prisão.

[traduzido por movimentonn.org]