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Prisões em massa em Copenhague

Por Stefan Steinberg
21 de dezembro de 2009

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Publicado originalmente em ingles no WSWS o dia 15 de dezembro de 2009

Dezenas de milhares de manifestantes que se reuniram em Copenhague no último dia 11 — para exigir pacificamente medidas sérias por parte da Conferência Climática das Nações Unidas (COP15), visando solucionar a crise do aquecimento global — enfrentaram a tropa de choque dinamarquesa, presente em enorme número. Os policiais isolaram uma seção do protesto e arbitrariamente prenderam cerca de mil pessoas.

As medidas brutais empregadas pela polícia dinamarquesa representam uma violação gritante do direito democrático de livre reunião e manifestação. Em realidade, trata-se de mais um aviso à classe trabalhadora e à juventude de todo o mundo.

A marcha, da qual participavam muitas famílias com crianças, foi quebrada por esquadrões policiais fortemente armados que empregaram as assim chamadas táticas de contenção para deter grupos de manifestantes. Os manifestantes, em sua maioria jovens, foram algemados e forçados a sentar no pavimento gelado por várias horas antes de serem colocados em celas.

Um manifestante da Alemanha descreveu seu confinamento: "Você tem um chão bem frio abaixo de você e quatro grades como paredes. Do lado de fora caminham os policiais para todos os lugares com seus cachorros". Os presos eram forçados a sentar "com as pernas intercaladas com as das pessoas sentadas diretamente à frente; as costas na pessoa que estava atrás; e tudo isso com as mãos algemadas atrás das costas. Era muito doloroso para a pessoa sentada atrás e você sentia dor por causa da pessoa na sua frente. Quando você olha, parece Guantánamo".

A grande maioria dos presos foi liberada após ter os documentos checados, fotos e informações pessoais registradas pela polícia. Na segunda-feira, dos quase mil manifestantes presos no sábado, 13 permaneciam em custódia.

As prisões em massa foram precedidas por uma série de detenções seletivas na quinta-feira. A polícia prendera 68 membros do grupo "Nosso Clima — Não Seu Negócio" pela suspeita de que podiam cometer atos ilegais. A polícia dinamarquesa recebeu poderes para prender pessoas com base em suspeitas insubstanciais, graças a uma lei aprovada com pressa pelo parlamento dinamarquês antes do início da conferência de Copenhague.

No domingo, a polícia prendeu mais 257 manifestantes depois de isolar parte de uma manifestação perto da estação Osterport. Os presos foram algemados e colocados em ônibus, que os transportaram para um centro de detenção.

Essa tática agressiva de contenção e prisão em massa de manifestantes não é nova. Tem sido cada vez mais empregada em manifestações recentes ao redor do mundo — notadamente em abril deste ano, quando a polícia britânica isolou um grupo de manifestantes na reunião do G20 em Londres. Um manifestante morreu enquanto era detido em uma área que havia sido isolada pela polícia londrina.

Sábado, porém, marcou a primeira vez que essas táticas policiais de "tolerância zero" foram usadas contra uma manifestação em massa referente a questões ambientais.

A ação policial, tomada sem qualquer provocação, tinha o objetivo claro de dar um aviso aos manifestantes, uma vez que a conferência entraria em sua segunda semana. Nesta, 110 chefes de estado compareceriam.

O aviso das autoridades dinamarquesas era o seguinte: nenhum protesto será tolerado nas proximidades do centro da conferência. Os procedimentos dentro do hall não devem ser "atrapalhados" pelas opiniões dos manifestantes que refletem as preocupações de centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo, que estão alarmadas quanto à incapacidade dos líderes mundiais de chegar a qualquer coisa que lembre minimamente um acordo de combate ao aquecimento global.

A conferência tornou-se uma lição sobre a impossibilidade, dentro do quadro do capitalismo, do desenvolvimento de políticas racionais e internacionalmente coordenadas para salvar o planeta de consequências potencialmente desastrosas das emissões de carbono crescentes.

Além disso, a conferência expôs ainda mais as tensões crescentes entre os maiores blocos comerciais — liderados pelos EUA, União Europeia e China. As elites dominantes desses blocos e de nações individuais têm a intenção de usar o problema da mudança climática para avançar seus próprios interesses financeiros e estratégicos.

Embora os delegados dos países reunidos estivessem disputando ferozmente as medidas para evitar uma catástrofe ambiental, eles concordavam que a força plena do Estado deveria ser utilizada contra os ativistas climáticos e os cidadãos comuns que procuram exercer seu direito democrático de reunião e manifestação.

A repressão dirigida aos manifestantes em Copenhague é uma expressão da crescente ofensiva da burguesia européia e governos capitalistas de todo o mundo contra direitos democráticos e sociais.

No período pós-guerra, países da Europa Ocidental como a Alemanha e as nações escandinavas, incluindo a Dinamarca, se apresentaram ao mundo como bastiões da liberdade de expressão e da democracia. Entre os países escandinavos estão muitas das mais antigas democracias burguesas do mundo.

A democracia da Europa capitalista sempre foi limitada e condicional. Sempre que as classes dominantes da Europa sentiram seus interesses básicos sendo ameaçados por desafios lançados pela classe trabalhadora, elas responderam com repressão e vitimização policial.

As últimas várias décadas — com o desenrolar do boom pós-guerra, intensificação da crise econômica e crescimento da desigualdade social — viram ataques crescentes sobre os direitos democráticos e o aumento dos poderes policiais do Estado.

Agora, a Europa está em guerra. Em face da oposição pública, a Alemanha, a França e várias nações escandinavas enviaram tropas ao Afeganistão para lutar ao lado dos Estados Unidos. Eles agora pensam em modos de aumentar seu envolvimento. Apenas uma semana atrás, a elite europeia deu ao presidente Barack Obama a plataforma da cerimônia do Nobel da Paz para propagar sua mensagem de guerra permanente.

Em 2006, a campanha xenofóbica e anti-Islã centrada nas charges de Muhammed publicadas por um jornal dinamarquês receberam apoio oficial de figuras políticas importantes do governo dinamarquês. Três anos depois, a campanha anti-islâmica na Europa chega a um novo limiar, com a decisão recente na Suíça de banir mesquitas.

A guerra, a xenofobia e os ataques incessantes contra as condições de vida e padrões sociais são incompatíveis com os direitos democráticos básicos. Em todo caso, o Estado tem sua própria resposta para situações onde os trabalhadores e cidadãos comuns procuram expressar suas diferenças quanto aos seus governos —"tolerância zero" e repressão policial.

A única forma de defender os direitos democráticos e avançar uma solução progressista para a ameaça crescente do aquecimento global é a mobilização dos trabalhadores internacionalmente em oposição ao sistema capitalista, com base num programa socialista.

[traduzido por movimentonn.org]

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