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Por uma mobilização internacional dos trabalhadores e da juventude contra a guerra no Iraque

Declaração do World Socialist Web Site e do Comitê Internacional da Quarta Internacional
10 fevereiro 2007

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O World Socialist Web Site e o Comitê Internacional da Quarta Internacional chamam a todos os trabalhadores, jovens e estudantes com consciência social em todo o mundo a dedicarem o ano de 2007 ao desenvolvimento de um movimento de massas da classe trabalhadora contra as guerras lideradas pelos americanos no Iraque e no Afeganistão.

O governo Bush exigiu que fossem enviados ao Iraque mais 21.500 soldados, para acabar com os rebeldes que se opõem à ocupação americana, assinalando um agravamento na escalada de uma guerra que já pôs fim à vida de centenas de milhares de iraquianos e mais de 3.000 soldados americanos, além de muitos outros da Inglaterra, Itália, Polônia, Espanha, Ucrânia e outros países da “coalizão”.

Bush tornou claro que ele não pretende apenas direcionar o poder de fogo americano contra os vários vizinhos de Bagdá e do centro populacional da rebelde província de Anbar, mas fez questão de salientar que ele está preparando também novas guerras de agressão, como pode ser comprovado na expansão da marinha americana no Golfo Pérsico e as ofensivas diplomáticas de Washington com o objetivo de buscar aliados no Oriente Médio na luta contra o Irã e a Síria.

A ordem de Bush para “procurar e destruir” nestes dois países supostas redes de apoio aos “rebeldes e terroristas” do Iraque cria a justificativa para uma invasão militar nos dois países.

A guerra de Israel contra o Líbano em julho do ano passado, que tinha como objetivo eliminar o Hezbollah, foi apoiada pelos EUA e representou o primeiro passo deste na direção da Síria e do Irã. A derrota de Israel, ao invés de pôr um fim ao perigo de uma guerra mais ampla, somente aumentou tal possibilidade. A imprensa divulgou detalhes dos planos dos exércitos americano e israelense para um ataque ao Irã que poderia incluir, pela primeira vez desde 1945, a utilização de armas nucleares.

A proposta americana feita, sobretudo aos estados sunitas—como a Arábia Saudita e o Egito—para que apóiem os EUA contra o Irã xiita, é uma prova de que a guerra civil no Iraque pode se tornar um conflito sectário que se espalhe por toda a região.

Essas ações estão sendo postas em prática contra os sentimentos da vasta maioria da população mundial. De país em país, as pesquisas de opinião registraram freqüentemente uma clara oposição à guerra.

A Casa Branca desconsiderou a vontade da população americana, que, nas eleições de novembro votaram contra a guerra e o fim do controle republicano em ambas as casas do Congresso americano. No próprio Iraque, a maioria da população não somente quer o fim da ocupação militar, mas muitos apóiam os ataques armados contra os invasores estrangeiros.

Os EUA invadiram o Iraque para estabelecer seu controle exclusivo sobre as grandes reservas de petróleo e para criar a base necessária à dominação de todo o Oriente Médio e Ásia Central. Em todas as partes do globo—do Oriente Médio à América Latina e ao Sul do Pacífico—a competição em busca da apropriação recursos naturais, mão de obra barata e mercados está se intensificando. Uma nova disputa pela África está a caminho. Na Somália, a máquina militar americana tem massacrado as populações nativas, enviando seus aviões de guerra e seus esquadrões de operações especiais assassinos e fomentando a guerra regional.

Washington revelou seus planos sobre o aumento permanente do tamanho do exército e da marinha americanos, para que eles estejam preparados para futuras intervenções. Em resposta à corrida armamentista, vários governos, incluindo o dos países emergentes como a Índia e a China, estão investindo no sentido de fortalecer os seus exércitos para defender os seus interesses numa provável guerra. O desenvolvimento acelerado do militarismo americano ameaça toda a humanidade, representando o perigo de um conflito mundial.

Cada vez mais, o papel mundial desempenhado pelo imperialismo americano, com sua atitude predatória ilegal, lembra o imperialismo alemão e japonês no período anterior ao início da II Guerra Mundial, em 1939. Assim como nos anos 30, as políticas mundiais parecem estar cada vez mais sendo conduzidas por pessoas insanas.

O que aparenta ser loucura, todavia, é na verdade o produto da estrutura econômica do mundo capitalista e dos interesses materiais da elite dominante. As causas fundamentais do desenvolvimento acelerado da política militar do imperialismo estão fundadas nas contradições do capitalismo mundial—entre uma economia integrada globalmente e o sistema capitalista de Estado-nação, e entre os processos de produção social da sociedade de massas e o caráter anárquico de uma economia de mercado baseada na propriedade privada.

Essas contradições foram enormemente intensificadas nos últimos cinqüenta anos, em conseqüência da integração cada vez maior da economia mundial. Elas encontram sua mais nítida expressão no próprio imperialismo americano, que procura manter sua hesitante posição hegemônica mundial e seus “superpoderes” utilizando sua superioridade militar para contrabalancear o seu declínio como uma força econômica. Esta política colonialista requer violência militar crescente no exterior e no interior do próprio país, por meio do ataque às condições sociais e aos direitos democráticos da população americana.

A guerra comandada pelo governo dos EUA transformou o Iraque num pesadelo de morte e destruição, com a morte de pelo menos 100 pessoas por dia, e a transformação de centenas de milhares em vítimas da “limpeza social”, milhões delas sendo forçadas a ir para o exílio. Isso é parte de uma ofensiva brutal contra a classe trabalhadora internacional.

Não somente nos EUA, mas na Europa e no Japão, em suma, em todos os países colonialistas, a elite corporativo-financeira e os governos que servem aos seus interesses estão atacando os empregos, as condições de vida e os direitos democráticos dos trabalhadores comuns. Corporações transnacionais que dominam o mundo estão varrendo o globo à procura de mão-de-obra barata. Os ganhos sociais conquistados duramente por meio da luta de várias gerações estão sendo destruídos sistematicamente.

Reviver o movimento anti-guerra

Centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo se opõem ao militarismo dos EUA. Mas seus esforços não chegaram a lugar algum porque a perspectiva do movimento contra a guerra não foi além de protestos impotentes. O que é necessário é uma perspectiva política revolucionária que desenvolva uma luta internacional unificada da classe trabalhadora contra a guerra imperialista.

Em fevereiro de 2003, às vésperas da invasão americana do Iraque, o potencial para tal luta internacional se expressava nos maiores protestos contra a guerra que o mundo já viu. Mais de dez milhões de pessoas tomaram as ruas, com manifestações simultâneas em todos os continentes.

As concepções políticas que acompanharam esses protestos—de que a guerra poderia ser evitada pela capacidade da opinião pública em convencer Washington ou em exigir que as forças européias e a ONU barrassem os excessos do imperialismo americano—foram completamente negadas no curso dos acontecimentos.

Em março de 2003, depois de seis meses da invasão ilegal, a ONU elaborou uma resolução sancionando a ocupação dos EUA no Iraque. Longe de ser um organismo neutro dedicado à paz, a ONU se mostrou como um grupo de ladrões que prepara guerras neocoloniais. Desde o anúncio de Bush da mais nova escalada no Iraque, o Conselho de Segurança da ONU manteve silêncio sobre este assunto, assim como na intervenção dos EUA na Somália.

Todos os países imperialistas, maiores e menores, estão envolvidos com a guerra do Iraque. Inglaterra, Austrália e Polônia foram membros fundadores da notória “coalizão dos esperançosos”, enviando tropas para participar na invasão liderada pelos EUA. Itália, Portugal, Holanda, Espanha e Noruega também enviaram forças militares, enquanto a Coréia do Sul continua mantendo 2.300 soldados no país e a Dinamarca mais algumas centenas.

O governo alemão autorizou a invasão americana, permitindo que Washington utilizasse seu território para realizar o ataque, além de prestar auxílio ao Pentágono com inteligência militar. Tanto a Alemanha quanto a França, que se posicionaram em 2003 contra a invasão liderada pelos EUA, aderiram à força da OTAN no Afeganistão, lutando para acabar com a resistência da população afegã, liberando assim as tropas americanas para a guerra no Iraque.

A Rússia e a China alertaram freqüentemente a respeito das ameaças e pressões de Washington. No início da invasão, se juntaram aos “oponentes” europeus da guerra afixando o selo de aprovação da ONU sobre a ocupação do Iraque. Ambos os países apoiaram as resoluções que condenavam o Irã e a Coréia do Norte, utilizadas pelos EUA para legitimar seus futuros ataques.

As elites dominantes dos países que foram oprimidos historicamente pelo imperialismo tentaram utilizar a guerra de agressão americana como meio de realizar seus próprios objetivos regionais. O governo do Irã facilitou as invasões no Afeganistão e no Iraque e tentou usar a crise para expandir a influência iraniana em ambos os países.

O governo brasileiro de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, que tem seus próprios interesses na América Latina, aliou-se em 2003 à Alemanha, França e Rússia na oposição à invasão americana. Entretanto, enviou tropas ao Haiti, invadindo a empobrecida ilha depois da derrubada do presidente eleito, Jean Bertrand Aristide, orquestrada pelos EUA, liberando assim as tropas navais americanas—muito necessárias no Iraque.

De país em país, a tão falada “guerra global ao terror” iniciada por Washington como um pretexto para justificar suas guerras de agressão, foi utilizada como um álibi político para enormes crimes. Essa guerra ilegítima serviu como uma cobertura para a repressão de qualquer oposição—incluindo movimentos reformistas e nacionalistas—ao status quo de dominação imperialista. No Sri Lanka, por exemplo, o governo de Colombo agrediu a minoria tamil da ilha como parte de sua “guerra”, e recebeu apoio político e militar direto de Washington para levar a cabo suas atrocidades.

A forma como os regimes burgueses—na Europa, no Oriente Médio e em qualquer outro lugar—se opuseram verbalmente à guerra demonstra que suas diferenças com Washington foram de natureza meramente tática, baseadas exclusivamente no receio de que seus próprios interesses regionais pudessem ser atingidos. Em última análise, todos eles dependem do imperialismo americano como garantia da estabilidade do capitalismo e um reduto contra a revolução.

Os acontecimentos dos últimos quatro anos proporcionaram duras lições políticas a muitos ativistas. Nem a guerra no Iraque nem as futuras agressões imperialistas podem ser impedidas por meio de apelos aos dirigentes políticos das instituições burguesas, nos EUA ou em qualquer outro lugar do planeta.

A luta contra a guerra é hoje—assim como era na I Guerra Mundial e na II Guerra Mundial—vinculada à luta de classes internacional. Reivindicações pela paz não chegarão a lugar nenhum a não ser que se direcionem para uma mobilização política da classe trabalhadora independente, que não tem interesses nas pilhagens imperialistas. A luta contra a guerra deve ser conduzida com base numa estratégia internacional socialista.

O militarismo dos EUA e o colapso da democracia americana

Enquanto o governo Bush afirma que ele está, por meio da guerra no Iraque, levando a democracia ao país, ela serviu para expor o colapso do processo democrático dentro dos próprios EUA. A oposição massiva à guerra observada nas pesquisas do mês de novembro e apoiadas por milhões ao redor do mundo, não encontra expressão alguma nas instituições políticas americanas e em seus dois grandes partidos.

Como declarou o World Socialist Web Site no dia da eleição: “qualquer que seja o resultado das eleições congressuais e governamentais de hoje, depois do dia 7 de novembro os trabalhadores dos Estados Unidos enfrentarão um regime político de Washington que permanece comprometido com a guerra imperialista no Iraque e com os ataques aos direitos democráticos e condições de vida dentro dos EUA”. Esta afirmação foi totalmente confirmada.

A diferença entre Bush e seus críticos das instituições políticas se referem às táticas e aos meios, não aos objetivos ou aos princípios. Quaisquer que sejam as objeções acerca da condução da guerra, todos concordam que a retirada imediata das tropas do Iraque é impensável, e que interesses financeiros e estratégicos fundamentais dos EUA estão em jogo.

Mesmo que os democratas devam a sua vitória em novembro ao sentimento anti-guerra amplamente difundido, os líderes do partido já deixaram claro que eles não se colocarão no caminho dos planos bélicos de Bush, mesmo sabendo que eles dispõem de meios para acabar com a guerra: o impeachment do presidente ou uma votação para cortar o financiamento do exército.

Brent Scowcroft, o conselheiro da segurança nacional do governo Bush e principal mentor do plano apresentado pelo Grupo de Estudos do Iraque, esclareceu recentemente as bases de sua cruel política. Escrevendo no dia 4 de janeiro no New York Times, Scowcroft enfatizou que, enquanto o Grupo de Estudos do Iraque relatou a “grave deterioração” da situação no Iraque, a retirada das tropas dos EUA sem a vitória americana “poderia ser uma derrota estratégica para os interesses americanos, com conseqüências potencialmente catastróficas tanto para a região quanto para outras regiões”.

Scowcroft continuou: “os efeitos não se restringiriam ao Iraque e ao Oriente Médio. Os recursos energéticos e os pontos de obstrução do trânsito vitais à economia global poderiam correr grandes riscos. Terroristas e extremistas poderiam se tornar mais fortes em diversos lugares. E a sensação, em todo o mundo, poderia ser a de que a ação americana falhou, não conseguindo resolver o caso, e assim os EUA não poderia mais ser considerado um aliado ou amigo fiel—ou o guardião da paz e da estabilidade nessa região crítica”.

Aqui, os objetivos da guerra do imperialismo americano são expostos claramente. A oligarquia financeira que controla os EUA tem a intenção de assegurar o controle dos “recursos energéticos e regiões geográficas vitais no interior da economia global” de modo a estabelecer sua própria hegemonia mundial e se colocar na posição de ditar as regras para os seus principais rivais capitalistas na Europa e na Ásia.

A elite americana tem medo de que com a derrota no Iraque, milhões de pessoas em todo o mundo—e nos próprios EUA—concluiriam que “a ação americana falhou”, criando assim as condições necessárias para levantes revolucionários internacionalmente.

Enquanto a maior parte da população mundial quer a retirada imediata e incondicional das tropas dos EUA e da “coalizão” do Iraque e do Afeganistão, essa exigência simples e humana não pode ser atendida pelas instituições políticas controladas pelas elites corporativas e financeiras. Seus interesses globais somente podem ser alcançados por meio da violência, e é por esse motivo que a guerra continua.

As lições políticas das eleições americanas

As eleições de novembro nos Estados Unidos levantam questões políticas vitais para os trabalhadores de todos os países.

As experiências políticas pelas quais a população americana passou durante os últimos quatro anos demonstraram o fim de qualquer expectativa na pressão aos democratas no interior deste sistema baseado em dois grandes partidos.

Nas eleições congressuais de 2002, a liderança democrata recusou-se a levantar a questão da aproximação à invasão do Iraque, ignorando o sentimento contra a guerra dos eleitores democratas e possibilitando que o governo levasse a cabo sua conspiração para arrastar o país a uma guerra construída sobre mentiras. O consentimento apático dos democratas culminou na votação no Congresso em outubro de 2002, que deu à Casa Branca um aval para iniciar a ação militar.

Na campanha à eleição presidencial de 2004, a oposição popular à guerra se intensificou. As eleições presidenciais preliminares registraram essa crescente oposição de massas na ascensão do candidato “contra a guerra” Howard Dean. A liderança do partido não apoiou a campanha de Dean, a fim de impedir que a eleição se tornasse um referendo sobre a guerra.

Quando John Kerry venceu a nomeação, Dean e outros democratas que supostamente estavam contra a guerra se aliaram à campanha pró-guerra. Bush foi reeleito e sua guerra continuou.

Os democratas não viram com bons olhos o resultado das eleições de 2006. Antes das eleições de 7 de novembro, numa tentativa de salvar a operação falida dos EUA no Iraque e desviar o crescente sentimento contra a guerra, importantes líderes democratas e republicanos pediram à população que depositassem confiança no Grupo de Estudos do Iraque, formado pelos dois partidos, que elaboraria uma nova estratégia para o “sucesso” no Iraque.

Quando o grupo expôs o resultado de seu trabalho, exigindo a rápida retirada das tropas americanas e declarando que a estratégia militar de Bush havia falhado, a Casa Branca rejeitou suas propostas e o Grupo de Estudos do Iraque tornou-se imediatamente um organismo inútil.

O povo americano quer paz, mas estão lhe impondo uma guerra cada vez mais intensa. A grande imprensa se aliou à escalada militar do governo no Iraque e intensificou as preparações do ataque ao Irã.

A atitude de desprezo da elite americana em relação ao sentimento contra a guerra das massas de seu próprio país teve ressonância em outros países. O primeiro-ministro britânico do Labour Party, Tony Blair, e o conservador primeiro-ministro australiano, John Howard, também ignoraram a grande oposição e continuaram a participar da invasão no Iraque, garantida por meio da cumplicidade de todas as instituições políticas em ambos os países. Em todo lugar, a vasta maioria da população teve efetivamente seus direitos suspensos.

A única solução é que os trabalhadores de todos os continentes ajam de forma independente e contra os governos e partidos institucionais e construam um novo movimento político socialista internacional. Todas as formas de mobilização popular contra as guerras no Irã e no Afeganistão—campanhas educacionais, manifestações e reuniões, atos nas fábricas, iniciativas eleitorais—devem ser elaboradas, desenvolvidas e implementadas sobre a base dessa estratégia política independente.

Guerra e desigualdade social

O abismo entre os governos e as massas no que diz respeito à guerra no Iraque representa o fundamento da realidade econômica e social do capitalismo mundial. Nos últimos vinte e cinco anos houve o crescimento da desigualdade social num ritmo jamais visto anteriormente.

No final do ano passado, uma organização de pesquisa filiada à ONU lançou uma nota documentando a incrível concentração da riqueza pela aristocracia financeira às custas da imensa maioria da população mundial.

De acordo com o Instituto Mundial para o Desenvolvimento da Pesquisa Econômica, 1% da população adulta mundial (37 milhões de pessoas) detém 40% de toda a riqueza do planeta; 2% detêm mais da metade e 10% detêm 85%.

Em contraste, 50% dos mais pobres—cerca de 1,85 bilhões de pessoas—têm juntos apenas 1% das propriedades, com massas condenadas a viver em condições degradantes de pobreza, fome e doença.

Nos EUA e na Europa, na Rússia e na América Latina, na África e na Ásia, uma vasta transformação social tem ocorrido como resultado de governos de diversos matizes políticos, que conduzem a uma divisão da riqueza social cada vez maior entre as massas trabalhadoras e a elite rica, que permanece desorientada no topo da sociedade.

Os resultados em todos os países têm sido essencialmente os mesmos: a consolidação da oligarquia financeira que nega à classe trabalhadora, isto é, à maioria da população, os meios para atender as suas necessidades elementares.

O ataque aos direitos democráticos

As decisões políticas, que estão em direta ligação com os interesses dos ricos e dos milionários, não podem ser tomadas por métodos democráticos tradicionais. A verdadeira razão para os ataques sem precedentes aos direitos democráticos não é a proteção das pessoas contra as ameaças de ataques terroristas estrangeiros, mas a necessidade de ampliar os poderes repressivos do Estado para tentar evitar o surgimento de uma oposição popular.

Nos Estados Unidos, o governo Bush implementou, com o apoio do Partido Democrata e da grande imprensa, medidas anti-democráticas, que em sua totalidade, legalizaram e institucionalizaram um Estado policial.

A espionagem das pessoas realizada pelo governo acabou completamente com o direito à privacidade. O direito a um julgamento, a uma assessoria jurídica leais e ao centenário habeas corpus, foi totalmente prejudicado. Prisões secretas e torturas foram sancionadas pela lei aprovada com o apoio dos dois grandes partidos. As proteções estabelecidas pelas Convenções de Genebra e outras leis internacionais foram banidas das cortes americanas.

As ações repressivas foram reproduzidas em todo o mundo. Na Inglaterra, o Ato de Prevenção ao Terrorismo aprovado em 2005 aboliu o princípio fundamental da hipótese de inocência, o que permite que o governo prenda pessoas por um período prolongado, mesmo sem qualquer acusação. Na Austrália, nos últimos cinco anos transcorridos desde os ataques de 11 de setembro, o governo Howard implementou mais de 40 leis anti-terroristas. Nunca os direitos das pessoas foram tão ameaçados como estão sendo atualmente.

Romper com os partidos de guerra reacionários! Por um movimento de massas independente e internacional contra a guerra!

A chave para pôr fim à guerra no Iraque é a mobilização social independente da classe trabalhadora e da juventude contra todas as instituições políticas e a oligarquia financeira à qual elas servem.

A guerra é um inevitável produto de uma sociedade onde as necessidades sociais se subordinam à acumulação do lucro privado e à riqueza pessoal de uma pequena elite. O crescimento do militarismo e do processo das guerras imperialistas não está separado dos interesses de extração de lucro.

O movimento contra a guerra deve adotar um programa que una a luta contra o imperialismo e a guerra à luta contra a desigualdade social e os ataques aos direitos democráticos. Deve desafiar diretamente a estrutura capitalista, lutar pela reorganização da vida econômica internacionalmente, sobre a base das necessidades sociais e da propriedade comum, ou seja, sobre fundamentos socialistas.

O World Socialist Web Site chama aos trabalhadores, estudantes e jovens a construir uma campanha popular contra a guerra com base nas seguintes reivindicações:

* a retirada imediata e incondicional de todas as tropas dos EUA, Inglaterra e outros países da “coalizão” do Iraque e do Afeganistão.

Enquanto as tropas americanas continuarem no Iraque, persistirá o derramamento de sangue naquele país. A catástrofe que tomou conta do Iraque é o resultado dessa trágica aproximação com os Estados Unidos nos últimos vinte e cinco anos: a invasão desastrosa do Irã pelo Iraque nos anos 80, estimulada pelos EUA; a invasão americana do Iraque em 1991; vinte anos de sanções econômicas; e, finalmente, a invasão e ocupação em 2003. Esses são os acontecimentos que levaram à desintegração da sociedade iraquiana. Com base nisso, a total e imediata retirada das tropas americanas do Iraque é a condição indispensável para que se interrompa a violência que está consumindo este país.

* Cobrar dos responsáveis pela guerra.

É crucial que todos aqueles que participaram do plano e realizaram tais agressões ilegais contra o Iraque sejam levados à justiça. Isso inclui Bush, Cheney, Rumsfeld, Rice e outras importantes personalidades civis e militares americanas, assim como seus cúmplices criminosos, como Blair na Inglaterra e Howard na Austrália. Os Estados Unidos prenderam aqueles que eles classificam como criminosos de guerra, como Noriega no Panamá, Milosevic na Sérvia e Saddam Hussein no Iraque. A mesma atitude deve ser adotada aos criminosos de guerra de Washington, cujos crimes excederam em muito àqueles dos governantes acima citados.

Como os nazistas na II Guerra Mundial, a Casa Branca de Bush adotou a tão falada “guerra de prevenção”, isto é, guerra de agressão—como uma política para alcançar seus objetivos globais.

Cobrar a responsabilidade de Bush e de outras importantes autoridades não é uma questão de vingança, mas de educação política da população como um todo. É necessário pôr um fim à cultura militarista cultivada pela elite dominante americana e seus servos da imprensa, utilizada para justificar a intensificação de intervenções militares americanas. É necessário afirmar que esses crimes sangrentos são atos típicos de conspirações criminosas.

* Opor todas as formas de racismo, nacionalismo e sectarismo.

Uma condição essencial para a construção de um movimento internacional unificado contra a guerra é a rejeição de todas as formas de racismo, nacionalismo e regionalismo.

A necessidade de justificar a guerra no Iraque, que não passa de uma agressão imperialista e neo-colonialista, acabou facilitando o desenvolvimento do racismo. Na Europa e em todos os outros lugares, muçulmanos se tornaram os alvos da ignorância e da arbitrariedade. Em todos os países, as elites estão estimulando os “valores nacionais” para dividir os trabalhadores e conquistar o apoio para futuras guerras.

Os trabalhadores do Oriente Médio devem desprezar os preconceitos étnicos e religiosos, que já produziram o derramamento de sangue sectário no Iraque e ameaça mergulhar toda a região no conflito. A oposição à agressão imperialista e ao racismo anti-muçulmano não pode se basear no apoio ao fundamentalismo islâmico, que invariavelmente serve aos interesses de uma ou outra facção da elite dominante, mas somente na unificação da classe trabalhadora do Oriente Médio com seus irmãos de classe de todo o mundo, com base no socialismo internacionalista.

* Revogar todas as leis e políticas direcionadas contra os direitos democráticos da população e desmantelar as redes de espionagem e de repressão política do governo. Defender os direitos dos imigrantes e trabalhadores a viver e trabalhar nos países que escolherem com total cidadania e sem ameaça de repressão, prisão ou deportação.

* Rejeitar e opor a imposição de serviço militar para atender às demandas das guerras imperialistas.

* Reconstruir a vida econômica sob uma concepção socialista para pôr fim à enorme concentração de riqueza, promover a igualdade social e atender às necessidades da população.

A atual estrutura capitalista, na qual a propriedade privada das forças industriais e financeiras deve ser substituída por um sistema socialista público de propriedade e controle democrático da economia. A anarquia do mercado capitalista deve ser substituída pelo planejamento racional, utilizando os avanços científicos revolucionários na ciência e na tecnologia numa escala internacional para desenvolver um sistema econômico cujo princípio de organização seja a satisfação das necessidades humanas e não a obtenção de benefícios e a grande acumulação de riquezas pessoais.

*Contra a política do imperialismo militarista, lutar por uma política de socialismo internacionalista, baseado na solidariedade internacional de todos os trabalhadores e no desenvolvimento dos recursos mundiais para eliminar os flagelos da pobreza, doença e ignorância, elevando o padrão de vida e nível cultural de toda a humanidade.

A única alternativa progressista ao militarismo, nacionalismo, sectarismo e racismo é o internacionalismo—a fim de unir a classe trabalhadora internacionalmente na luta por um futuro socialista.

Unir e coordenar as lutas da classe trabalhadora internacionalmente contra a guerra, a repressão e a desigualdade social é a tarefa histórica assumida pelo Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI), a liderança do movimento socialista mundial.

Esta luta deve ser levada adiante por meio da construção e da expansão das seções do CIQI, os Partidos Socialistas da Igualdade (SEP - Socialist Equality Parties), naqueles países em que elas existam, e de suas fundações naqueles em que ainda não existam. Em todos os países, essas seções agem no sentido de unir os trabalhadores internacionalmente numa luta mundial contra a guerra e pelo socialismo, em oposição à tirania econômica dos bancos internacionais e corporações transnacionais.

Nós fazemos um apelo especial à juventude—aqueles que irão, em primeira instância, sofrer as conseqüências da guerra—a lutar por essa perspectiva. Nós defendemos a construção da Internacional Estudantil pela Igualdade Social nas universidades e escolas secundaristas em todos os países, para que os estudantes se voltem à classe operária como um todo na luta para construir um movimento de massas socialista capaz de pôr fim à guerra e ao sistema de lucros que a criou.